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domingo, 4 de novembro de 2012

Ucrânia suaviza posição sobre bloqueio a exportações de trigo


01/11 
KIEV - O Ministério da Agricultura da Ucrânia suavizou na quarta-feira sua posição sobre o bloqueio às exportações de trigo nesta temporada, dizendo que irá considerar "todas as medidas necessárias" se os estoques do país caírem a níveis críticos.

Na semana passada o ministro Mykola Prysyazhnyuk disse que a antiga república soviética suspenderia as exportações de trigo a partir de 15 de novembro devido ao elevado ritmo de vendas ao exterior e a uma redução na colheita após clima adverso, mas o vice-ministro disse nesta quarta-feira que esse movimento não está na agenda.

"Nós iremos utilizar todas as medidas necessárias em caso de uma escassez crítica de grãos para alimentação", disse Ivan Bisyuk, segundo a agência de notícias Interfax Ucrânia.

"No presente momento, nós não vemos um estado crítico em relação aos grãos para alimentação", disse ele.

O ministério não estava disponível para comentários, mas traders disseram que as restrições eram prováveis já que o país não tem grãos suficientes em estoque para manter as exportações no atual ritmo acelerado.

"Não é dúvida de que algum tipo de limitação será imposto. A questão é quais limites serão e, infelizmente, podem ser limites informais", disse um grande trader estrangeiro.

"Ao que tudo indica, a decisão final não foi tomada ainda e o governo está considerando seus próximos passos", disse outro trader.

(Reportagem de Pavel Polityuk)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012


O Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012 contará com recursos de R$ 107,21 bilhões. Um aumento de 7,2% em relação à safra passada. Os recursos serão destinados ao financiamento de operações de custeio, investimento, comercialização, subvenção ao prêmio de seguro rural e apoio à utilização de práticas agronômicas sustentáveis.
Os destaques são as novas medidas de apoio à pecuária, cana-de-açúcar e agroenergia, além da estocagem de suco de laranja. Pela primeira vez, haverá recursos públicos em condições mais favoráveis para retenção e compra de matrizes de reprodutores, bem como para a recuperação de pastagens degradadas. No caso da cana-de-açúcar e dos biocombustíveis, estão asseguradas linhas de financiamento para a expansão e renovação de canaviais. Por fim, o Governo destinará verbas para garantir preços mínimos de referência aos produtores cítricos. Estão mantidas as linhas de financiamento para os cafeicultores por meio do Funcafé.
Além dessas ações previstas no Plano Agrícola e Pecuário 2011/2012, o Governo Federal optou pelo aperfeiçoamento das ações referentes ao uso de tecnologias direcionadas à sustentabilidade da produção agropecuária, consolidando o Programa ABC, lançado no ano passado. O Programa de Agricultura de Baixo Carbono, que agora incorpora o Produsa e o Propflora, dará incentivos ao produtor que adotas boas práticas agronômicas para minimizar o impacto da emissão de gases do efeito estufa.

Fonte: http://www.agricultura.gov.br

sábado, 26 de novembro de 2011

AGRONEGÓCIO E SEGURANÇA ALIMENTAR, INIMIGOS?



Por André Meloni Nassar

Na semana passada foi realizada a IV Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que teve como lema "alimentação adequada e saudável: direito de todos". Um leitor desatento certamente veria nesse tema uma proposta a apoiar de olhos fechados. Mas uma leitura mais detalhada, que se propusesse a entender as razões que dão suporte a esse lema, provavelmente levaria vários leitores a ter dúvidas quanto a um apoio irrestrito a ele. Tendo lido com cuidado tais razões, duas perguntas me vêm à cabeça: quais são as motivações dos líderes da formulação das políticas de segurança alimentar no País para fomentarem o debate que afirma que o modelo agrícola brasileiro é uma ameaça à segurança alimentar e nutricional? Essa decisão de colocar como inimiga a produção agrícola que utiliza tecnologia, está integrada aos mercados (nacionais e internacionais) e busca competitividade via ganhos de escala - agronegócio - procede?

Não sei a resposta à primeira pergunta. Mas posso dizer que ela é baseada na crença de que o agronegócio gerou a miséria que ainda existe no meio rural brasileiro. Nessa linha, é o agronegócio que impede o desenvolvimento dos povos tradicionais, indígenas e minorias étnicas que vivem dos   recursos naturais, pois é um modelo baseado em escala - confundida por essas lideranças como monocultura - que concentra terra e, pelo uso de sementes transgênicas e agrotóxicos, promove a destruição da   biodiversidade, de que tanto dependem tais povos. Além disso, segue o raciocínio, o agronegócio não possibilita a emergência e o acesso a tecnologias adaptadas para esses povos e aos agricultores familiares. Paro por aqui antes que eu seja convidado a fazer parte do Consea. E me concentro na resposta à segunda pergunta.

Não se trata de negar que ainda persistam no País situações de insegurança alimentar e que as comunidades onde a insegurança mais predomina são as dos povos tradicionais e indígenas. O problema existe e precisa ser combatido, com ações governamentais e o reconhecimento da sociedade de que a História do Brasil carrega um passivo que precisa ser atacado. Aliás, vale lembrar que muitas outras nações encontram o mesmo tipo de desafio e o estão enfrentando, em muitos casos, de formas diversas das escolhidas por aqui.

É preciso lembrar ainda que, como qualquer economia que ainda tem instituições em formação, problemas de corrupção e definições frágeis de questões-chave, como direitos de propriedade e ameaças à biodiversidade, existem: nas propriedades rurais, nos assentamentos da reforma agrária e nas reservas indígenas. É sabido que o desmatamento e a degradação florestal ocorrem nos três, sem privilégio de culpabilidade para nenhum deles.

Também posso reconhecer sem maiores dificuldades que boa parte da pesquisa agrícola, e tenho muitas e boas razões para afirmar que essa foi uma opção correta, está orientada para desenvolver tecnologias que tornam os sistemas produtivos - via sementes melhoradas, práticas de produção que usam melhor a terra, técnicas de manejo que procuram maximizar o uso dos   insumos, etc. - mais eficientes e com maior   produtividade. Tais pesquisas procuram dar soluções tecnológicas a sistemas produtivos que estão integrados aos mercados, uma vez que estes são caracterizados pela competição e pela tendência estrutural de queda real dos preços dos alimentos. Assim, sistemas de produção de base agroecológica, defendidos como opção correta pela conferência citada, que atendem predominantemente mercados locais e ainda não se mostraram capazes de produzir com eficiência e escala as  commodities comercializadas nos mercados globais, tendem a receber menos atenção dos pesquisadores e das empresas de pesquisa.

Por fim, podemos facilmente verificar que o modelo agrícola brasileiro usa bons contingentes de terra, como o fazem as reservas indígenas e o faria a produção agroecológica se todo o alimento consumido no Brasil viesse desse tipo de agricultura. Usar terra, assim como comprometer a biodiversidade, não é e nunca será exclusividade do agronegócio.

Todas as questões apresentadas têm, ao menos em teoria, soluções. Nenhuma delas, no entanto, emerge do reconhecimento, explicitamente colocado em todos os documentos de suporte à conferência, do papel de vilão do modelo agroexportador brasileiro. Mais do que isso, todas as soluções podem ser idealizadas e implementadas independentemente da existência do agronegócio. Ou seja, embora seja a escolha feita pelas lideranças da segurança alimentar - a de que só o modelo da agroecologia pode garantir segurança e qualidade alimentar no Brasil e, portanto, o agronegócio não beneficia as camadas da sociedade que enfrentam a insegurança alimentar -, a emergência de um não ocorre em detrimento do outro. Somente na cabeça dos formuladores das políticas de segurança alimentar no Brasil é que todos os problemas serão resolvidos se o agronegócio for extirpado.

Trata-se de uma visão ideológica, que confunde o modelo agrícola contemporâneo - aquele que se desenvolveu a partir dos anos 1970 e hoje conhecemos como agronegócio - com a exploração do patrimônio rural do passado histórico brasileiro e tem enorme dificuldade de reconhecer no Estado o grande responsável pelos problemas de insegurança alimentar que perduram no Brasil. São os setores do agronegócio integrados aos mercados globais que estão incorporando, nos seus sistemas produtivos, ações de sustentabilidade e de responsabilidade social. Ignorar esse fato e igualar o agronegócio ao proprietário de terra do passado brasileiro significa apagar a História recente do Brasil em busca de um modelo de meio rural em decadência.

Fonte: http://www.redeagro.org.br/artigo-social/434-agronegocio-e-seguranca-alimentar-inimigos